A NRF 2026 (Retail’s Big Show) é o maior evento mundial do varejo, realizado todos os anos em Nova York. É ali que surgem — com antecedência — os movimentos que começam nas grandes marcas e, pouco tempo depois, impactam lojas físicas, e-commerces e negócios locais.
Entre os dias 11 e 13 de janeiro de 2026, uma mensagem ficou clara em praticamente todos os palcos:
O dinheiro está migrando para operações mais simples, integradas e com menos atrito para clientes e equipes.
Neste artigo, você vai entender o que realmente muda no varejo a partir de agora e, principalmente, como aplicar isso na prática, mesmo sem grandes investimentos ou times complexos.

Agentic Consumer: menos esforço para o cliente, mais vendas para o negócio
A Inteligência Artificial deixou de ser “novidade” e passou a ser vista como infraestrutura básica do varejo moderno.
Na prática, isso significa usar tecnologia para ajudar o cliente a decidir mais rápido, com menos dúvidas e menos etapas até a compra.
Esse conceito apareceu na NRF como Agentic Commerce: sistemas que orientam o consumidor durante a jornada, sem torná-la fria ou impessoal.
Um alerta importante do evento:
Os consumidores usam IA, mas não confiam cegamente nela. Eles rejeitam experiências genéricas e automáticas demais.
Como aplicar isso no seu negócio:
- Crie respostas padrão para as dúvidas mais comuns no WhatsApp ou Instagram
- Organize descrições claras de produtos e serviços (preço, prazo, benefícios)
- Reduza etapas entre interesse e compra (menos formulários, menos cliques)
- Use informações básicas do cliente (histórico de compras, frequência, preferências) para personalizar o atendimento
Menos atrito = menos abandono = mais conversão.
Tecnologia invisível (Quiet Tech): quando a tecnologia funciona sem aparecer
Um dos conceitos mais fortes da NRF 2026 foi o de Quiet Tech — tecnologia que funciona nos bastidores, sem atrapalhar a experiência de quem compra ou de quem vende.
Vipul Chawla, CEO da FairPrice (maior varejista de Singapura), resumiu bem:
“IA não substitui pessoas. Substitui fricções.”
Ou seja:
tecnologia boa é aquela que facilita o trabalho da equipe, sem exigir esforço extra.
Como isso vira prática no varejo:
- Sistemas que “conversam” entre si (em vez de várias planilhas soltas)
- Menos cadastros repetidos para clientes e funcionários
- Processos simples, que fluem sem o cliente perceber a tecnologia
Se a tecnologia dá trabalho, ela está mal aplicada.
Reset sensorial: fazer o cliente sentir para querer comprar
Em um mundo cada vez mais digital, o físico voltou a ganhar valor.
Dados apresentados na NRF 2026 mostram que:
- 81% da Geração Z querem se desconectar mais do digital
- 86% dizem que tocar e sentir o produto influencia diretamente a compra
- 81% hesitam comprar itens premium sem experiência física
Isso significa que a loja deixou de ser apenas um ponto de venda e passou a ser um espaço de experiência.
Como aplicar isso na prática:
- Melhorar iluminação, som e conforto do ambiente
- Criar pequenos rituais de atendimento (recepção, explicação, despedida)
- Valorizar demonstração, prova e experimentação
- Pensar a loja como um espaço de pausa, não só de compra
Quando o cliente sente, o desejo de compra aumenta.
Escuta genuína: decisões melhores antes de investir em tecnologia
Marybeth Lawton, CEO da REI (empresa americana referência em varejo), trouxe um aprendizado poderoso:
As empresas não erram por falta de dados.
Erram por falta de escuta.
Nos primeiros meses no cargo, ela ouviu funcionários, parceiros e clientes antes de mudar qualquer coisa.

Ela fez perguntas simples, como:
- O que não podemos perder?
- Onde estão os riscos?
- Onde estão as oportunidades?
- O que o cliente realmente espera?
Como aplicar isso no seu negócio:
- Criar momentos simples de escuta com a equipe
- Registrar feedbacks recorrentes de clientes
- Ajustar processos antes de investir em novas ferramentas
Escutar bem evita decisões no escuro.
Omnicanalidade estratégica: não é estar em todo lugar, é estar no lugar certo
Outro ponto forte da NRF 2026 foi a revisão do conceito de omnicanalidade.
Estar em todos os canais sem estratégia clara gera esforço e pouco resultado.
A lógica agora é:
Mesma marca. Estratégias diferentes. Mesmo coração.
Como aplicar isso no dia a dia:
- Defina qual canal vende, qual informa e qual se relaciona
- Evite replicar exatamente o mesmo conteúdo em todos os canais
- Garanta consistência de tom, promessa e atendimento
Cada canal precisa ter uma função clara.
A moeda da confiança: o novo ativo mais valioso do varejo
Hoje, confiança não se constrói com discurso.
Se constrói com evidência.
Na NRF 2026 ficou claro que:
- Promessas genéricas perdem força
- Transparência virou critério de decisão
- O “consumidor padrão” deixou de existir
As novas moedas da confiança são:
clareza, coerência e evidência.
Como aplicar isso no seu negócio:
- Ser claro sobre preços, prazos e políticas
- Comunicar processos reais, não só resultados
- Criar relacionamento contínuo com clientes recorrentes
- Tratar clientes como comunidade, não como massa
Confiança gera pertencimento — e pertencimento gera recorrência.
Checklist rápido: o que realmente importa após a NRF 2026
Remover atrito da jornada do cliente
Usar tecnologia para simplificar, não complicar
Criar experiências sensoriais que geram desejo
Escutar antes de investir
Estar nos canais certos, com propósito
Construir confiança com clareza e consistência
Afinal, para onde o dinheiro está indo no varejo
Todos os aprendizados da NRF 2026 apontam para o mesmo destino:
O dinheiro está migrando para operações que simplificam.
Não é sobre mais tecnologia, mais canais ou mais complexidade.
É sobre liberar tempo, melhorar decisões e fortalecer relações, colocando pessoas, experiência e confiança no centro.
Quem entende esse movimento não corre atrás de tendência.
Antecipam mudanças e crescem com mais consistência. Confira também tendências de inovação e tecnologia no varejo.
Quer ajuda para aplicar esses aprendizados no seu nicho ou tipo de operação?
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